Primeiramente uma Boa madrugada, Dia, Tarde e Noite, depende mesmo de que horário você está lendo....
Com esse e outros dois ou três posts, não sei bem ao certo ainda, quero mostrar a minha perspectiva sobre ser Ateu, dos movimentos Ateístas e das diversas questões que as pessoas levantam sobre essa escolha de não fé em algo Divino.
Nesse primeiro post, quero compartilhar a minha vivencia como Ateu, ou seja, como cheguei até aqui e como sigo com meus pensamentos e questionamentos sobre essa escolha.
Primeiramente quero deixar claro que:
Ateu não come criancinha...
Logo essa foto não me representa.
Também como Ateu não acredito em....
E ainda coloco duendes, fadas, Zeus, Apollo, Afrodite ou qualquer ser místico que as pessoas cultuam em suas diversas religiões e fés.
Pra mim isso tudo é mitologia, e aqui quero dizer no sentido não senso comum da palavra, ou seja, algo que explique de alguma forma, com seres místicos e divinos a criação do mundo e do universo.
Mas por que coloquei tudo isso?
Bom primeiramente porque para muitos, Ateus acreditam no DIABO, fazem satanismo, ou qualquer coisa macabra, quero dizer como Ateu que isso no mínimo seria incoerencia de minha parte, já que Ateus são céticos.
Mas ai alguém pergunta: Então você acha que a ciência explica tudo? Você acha que o universo nasceu de uma grande explosão? Você acha que nada disso foi criado por algum ser Superior?
As respostas para isso é....
Talvez, talvez e não
Mas ai não respondi nada das questões, com exceção da ultima, mas e daí?
Não quero resposta pra tudo, e também me satisfaço com possibilidades, a final qual o problema disso?
E é ai que começo a falar sobre minha chegada até aqui.
Boa parte de minha infância foi afastada da igreja, lembro de poucas vezes na qual presenciei alguma atividade religiosa, umas delas sempre foram os casamentos, e outras não tão convencionais, como um grupo Hare Krishna, e outro Druida, que muitos dos que frequentavam eram amigos de meus pais, mas ai alguém diz:
-Tá explicado porque esse menino num acredita em Deus.
Pelo contrario caro leitor, quando criança acreditava em muitas coisas, morria de Medo de Deus varias vezes, e ainda mais do Diabo, seres que eram apresentados a mim de diversas formas, o Diabo sempre como coisa ruim, e Deus as vezes ruim e as vezes bom, dependia mesmo como me comportava, afinal quantos de nós já não ouvimos:
Ahhhhhhh! menin@ faz isso não, Deus vai te castigar!
Minha vó era fã numero um dessa frase, meu vô já tinha outra perspectiva, mas isso não é o assunto aqui.
Passei anos não entendendo o que era ser católico ou o que era ser batizado ou qualquer assunto ligado a uma religião.
Toda vez que me perguntavam minha religião falava que era católico, no Brasil quando não se define sua religião você será por consequência católico.
Isso se deu até chegar aos meus 13 anos, por diversos motivos minha mãe que era católica, mas há muito tempo não frequentava, voltou a frequentar esse espaço, e com isso levou os seus filhos, a partir daí tive contatos diversos com a religião majoritária de nosso País e outras vertentes da mesma fé cristã.
Tive dos meus 14 anos aos 17 o fervor da religião, participei durante 6 meses da igreja batista, li a bíblia e a discutia, voltei para a católica e entrei para o grupo de jovens, e talvez ai comecei de fato a questionar as coisas, participava de umas das vertentes mais conservadoras da igreja católica, ouvia de todos que participavam o desprezo a outras religiões, principalmente as de matriz africana, tudo o que escutava do rock por exemplo, agora era musica do "mundo" e isso não podia, namoro era bom, sexo antes do casamento nem pensar, comunidade LGBT, vixe esses sofriam de tormento e iam para o inferno segundo a leitura que faziam da bíblia, fiquei 2 anos me questionando sobre essas "verdades" que me apontavam, e refletindo sobre a leitura que tinha da bíblia, via nessa a questão do amor, e nas atitudes de vários somente descaso e preconceito com os outros.
Foram 2 anos questionando a instituição e criticando as atitudes dos que frequentavam, avaliando o que realmente me deixava contente e feliz, o que realmente eu buscava nesse espaço, já não via sentido nos dogmas. Nesse momento me retirei da Igreja, acreditava em Deus, mas não participava das instituições, achava que havia algo de muito errado num processo que se contradizia. Não quero aqui fazer crítica a Religião de ninguém, e sim colocar como me senti durante todo esse momento de minha vida, as pessoas precisam se sentir bem em qualquer situação que se coloquem, e eu não me sentia contente com tudo que via e participava.
Foi aos 18 anos depois de muita reflexão que comecei a relacionar o meu afastamento da Igreja há não existência de um Deus, algo que me causou serias crises de identidade, buscava sinais, refletia sobre diversas situações que me deixavam descrente, e em determinado momento o que mais me fazia sentido era justamente há ideia e a concepção de que ele não existia.
Acredito que termo correto mesmo seria Agnóstico, pois não vejo como provar a existência dele, como também acho que o contrario também não seja possível, ou seja, que ele exista.
Mas assumo que ele não existe com todas as Letras, pois pra mim é a única possibilidade. E com isso me sinto muito bem, com as minhas concepções de vida. E isso sim deve ser importante.
A crença ou não crença deve ser algo de foro intimo do indivíduo e não algo imposto, acho que podemos sim discutir, mas nunca oprimir a escolha de uns e nem impor suas concepções religiosas e não religiosa a outros.
Com isso chego ao fim desse post.
Essa foi a minha jornada até aqui e minha visão do que passei.
Grande Abraços.
Quero já deixar aqui o tema do próximo post:
Movimentos de laicização e Neo Ateus.


Que belíssimo depoimento! É preciso coragem para isso, heim?!
ResponderExcluirTambém não compartilho da ideia simplória de que há um Deus que aprova ou não aprova coisas, e principalmente, beneficia alguns e crucifica outros (inclusive o próprio filho), mas acredito que há algo muito forte que une sei lá o que e nem sei como...mas sinto que ainda há algo que não compreendo e que ninguém deu conta de satisfazer minha dúvida.
Assim como você, nasci numa família Católica apostólica Romana (por parte de mãe), com um pai comunista que nunca se cansou em pesquisar sobre religiões (talvez também procurasse uma resposta...assim como eu). Por isso, eu frequentei: catolicismo, espiritismo (brancos e negros), esoterismo, budismo, induísmo...e por aí vai...
Tudo o que aprendi nessa trajetória se resumem em duas coisas:
Primeiro: respeitar o outro na sua totalidade e completude e, segundo: as pessoas são tão hipócritas quanto podem: pecam e batizam - pecam e batizam - pecam e batizam....e no final, recebem a extrema-unção.
Mas, me apeguei ao primeiro aprendizado e isso me basta. Embora...o respeito deva ser mútuo, caso contrário, uma boa militância é bem vinda!
Muito massa sua trajetória Lucas!
ResponderExcluirMinha família teve várias misturas, umbandistas, espiritas, cristãos e etc. Desde que eu me entendo por gente questionava as regras da Igreja e assim fui descobrindo que não precisava decidir nada.
Acho que o maior erro das pessoas é levar xs filhxs desde cedo a sua religião e achar que está passando valores, educação e etc. Pelo contrário, você não está dando a chance da criança escolher o que quer ser!
Você até pode levá-la a igreja, mas já que é assim, leve-a a uma cada de umbanda, um templo budista e por ai vai. Isso é cultura, isso é liberdade.
Bom, nem sei como começar a escrever. Mas, respeito a opinião e o sentimentos religiosos de outras pessoas. Sou evangélica, mas conheci outras religões, porém sempre me encontrei e me confortei na evangélica. Sou muito religiosa, acredito fielmente em Deus, e no diabo também. Em minhas inúmeras orações sempre converso com Deus, e Ele sempre me atende ou me conforta. Minha fé em Deus me faz uma pessoa muito feliz! E independente de você ser ateu, desejo que em suas crenças você também seja muito feliz!
ResponderExcluirMinha história coincide com a sua, diferenciando no desfecho. Durante toda a minha vida vivi com a minha avó por perto, católica fervorosa. Eu acompanhava as missas, participava do coral, era coroinha, dirigia estudos. Buscava sempre na igreja a solução para problemas pessoais que enfrentei durante toda a minha infância e adolescência. Até que percebi que o Deus que o catolicismo pregava iria condenar meu pai por erros cometidos aqui e isso me afetou profundamente. Entendi que o paradoxo que afirma que Deus é bom e condena os "maus" ao inferno era completamente incoerente e que eu, definitivamente, não concordava com isso. Tornou-se inadmissível ouvir minha avó dizer que tatuagem era coisa do capeta. Com tanto sofrimento no mundo, uma tatuagem definiria mesmo o meu destino depois da morte? No entanto, com esses questionamentos, não deixei de acreditar na existência de Deus. Passei a acreditar que as pessoas estavam definindo-o de maneira errada em benefício próprio e isso me pareceu a verdade. Durante alguns anos acreditava em Deus e em nenhuma religião. Então conheci o Espiritismo. Um espírita me disse que eu não precisava de uma religião, que Deus se sentiria satisfeito só pelo fato de eu fazer o bem. Então me encontrei. Acredito piamente que não vivemos sozinhos e que existem muitas coisas além dessa vida terrena, mas acredito prioritariamente que nossa religião deve ser o amor pelo próximo. E isso basta.
ResponderExcluirConcordo com a Rute. Respeito as opiniões e sentimentos dos outros, mas como me sinto "encontrada" e confortada na religião católica, acho muito difícil discutir o assunto. Acredito que os pais devam mostrar e ensinar sua religião para seus filhos, para que eles tenham ao menos um conhecimento desta religião. Depois se eles quiserem mudar é outra conversa, mas acredito que a iniciação na religião dos pais deva acontecer.
ResponderExcluirOi Lucas, tudo bem? Achei super legal o seu depoimento. Num país mega religioso como o nosso, ainda existem muitas e muitas pessoas que são preconceituosas contra pessoas que não possuem nenhuma crença. Penso como você, a crença ou não crença nunca deve ser imposta. Adorei!
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirTorna-se claro o aumento de ateus nas gerações mais recentes, comparado às gerações das pessoas nascidas nos anos 60 e 70. Creio que este evento deve-se há dois fatos ligados a mudanças que ocorreram na sociedade:
ResponderExcluir1) Nunca a tecnologia e ciência estiveram tão presente e acessíveis, os formadores de opinião tornaram-se personalidades da TV ou internet ao invés de serem os padres e freiras, que educavam nossos pais e avôs.
2) Existe o ditado: “Não existe ateu quando o avião está caindo.”. Esta frase resume bem a função da religião na vida das pessoas: dar fé ao necessitado. Devido ao aumento de qualidade de vida e poder de compra populacional, que ocorreram nas últimas décadas, os números de financeiramente necessitados diminuiu e assim diminuiu também o número de religiosos. Por esta lógica, podemos explicar porque a religião é mais presente em comunidades carentes do Brasil. E porque creio que o ateísmo é uma vertente crescente para próximas gerações.
Adorei seu depoimento! Acredito em Deus, em algo maior. Mas fico muito triste com as muitas religiões que usam a fé das pessoas, falando da "palavra de Deus" do "Evangelho" seja lá qual for a denominação que se utilizam para manipular as pessoas e acabam muitas vezes subestimando a inteligência do ser humano.
ResponderExcluirMuito bom o texto porque trás algumas questões que me intrigam muito, principalmente com relação ao preconceito da maioria das religiões com os homossexuais, falam tanto do amor ao próximo, mas não amam o próximo se ele for homossexual. Amar o que é igual a nós é muito fácil!
Os seres humanos criaram as religiões para encontrar explicações sobre a vida em todos os seus aspectos e durante este processo cada grupo encontrou as respostas que os satisfizeram. A medida que a ciência avança muitas questões são respondidas e apesar das mudanças de entendimento da vida trazidas, a relação com o divino e o sobrenatural continuará existindo, pois a ciência não consegue dar conta de todas as respostas e as religiões exercem o papel de aliviar ou reforçar esta tensão. Do mundo exterior ao mundo interior, cada pessoa busca aquilo que é necessário para alcançar o conforto ou paz espiritual que deseja. O importante é não perder o sentimento de humanidade e como disse um grande filósofo "fazer ao próximo aquilo que gostaria que fizessem a si mesmo".
ResponderExcluirInteressante postagem Lucas, nos da uma ideia de como vc foi construindo e reafirmando sua identidade de ateu.
ResponderExcluirMas preciso comentar um detalhe que a principio estava passando desapercebido, sua postagem foi uma das ultimas que eu quis ler no blog, e pq? Não sei se para os outros tb é assim, mas é uma fonte, tamanho e cor que deixa minha vista confusa.
Muito interessante sua trajetória.
ResponderExcluirTambém sou ateu e acho muito importante desmistificar nossa posição.
Não acho também que a ciência explique tudo, ela sequer se propõe à isso... e não procuro uma explicação universal.
Pelo contrário, como ateu procuro a cada dia mais dúvidas que me desafiem!
Gostei muito de ler sua postagem. Tenho um primo que é ateu, e é muito criticado por algumas pessoas da família. Eu acredito em Deus, tenho uma religião, mas acho que a coisa mais importante não é a crença, mas sim fazer o bem ao próximo. As religiões são apenas maneiras que cada um encontra para buscar respostas e compreender a própria existência, mas não definem o caráter de ninguém.
ResponderExcluirMuito interessante a forma como o ateísmo é colocado neste post, diz diretamente o que é. Também achei legal o texto ter extraído alguns mitos como ateu acredita no diabo. Além do que é sempre bom ler depimentos de coragem como este.
ResponderExcluirCara, bem massa ler seu depoimento.
ResponderExcluirAlgo que me deixa muito pensativo sobre o ateísmo é como não torná-lo um conjunto de práticas tão dogmaticas quanto as religiões que se critica.
conheço muitas pessoas que se acham, explicita ou implicitamente, mais esclarecidas e mesmo superiores às pessoas religiosas por "saberem que na verdade Deus não existe", e conseguirem assim "entender de fato como o mundo funciona", não pelas leis da Biblia, mas pelas leis de Newton e Darwin.
Conheço vários casos de ateismo, inclusive, em que a noção biológica de darwinismo se torna um darwinismo social, numa concepção de que "não existe Deus nem acaso, tudo é fruto da seleção natural, inclusive ou seu 'sucesso' ou fracasso na sociedade". Isso me leva a questionar se os maiores problemas que identifico nos "religiosos" estão necessariamente em se ter crenças e fés sobre como funciona o mundo e a vida (aliás, ateus e atéias também podem ter fé, e muita! Mas não em um Deus, mas em outras coisas), ou na maneira como se pensa a partir de certas crenças, em como se deve ou nao deve viver coletivamente, e como se impoe isso aos que não partilham dessas crenças.
Pra mim o problema maior é ser dogmaitco/a, e não conseguir levar em consideração as maneiras de pensar, sentir e agir dos outros, e seus pontos de vista. Pra mim, esse é o lado mais negativo das religiões, e nesse caso dá pra pensar em ateus muito religiosos também :P