Debater a fé é debater a
diversidade!
Por isso trago uma discussão em relação a esta que é uma religião muito discriminada e deturpada pelo preconceito e racismo existentes ainda hoje. Sou nascida e criada entre a Umbanda, o Catolicismo e o Kardecismo. De uma família que às quartas-feiras tomavam seus passes nos terreiros de Umbanda, adoravam e reproduziam as palavras e ensinamentos de Chico Xavier e quando alguém perguntava, se auto denominavam: Católicos! E a minha é apenas uma das famílias brasileiras que vivem estas contradições. Por todo tabu que se criou em relação à religiões que surgiram da simplicidade e de pessoas humildes. Expressar a fé na Umbanda parece ser algo muito difícil, pois os preconceitos e estereótipos mascaram aquilo que a religião é na realidade.
A Umbanda nasceu no Brasil, no início do século XX e é o sincretismo entre o catolicismo popular, tradições religiosas vindas da África e, também, a indígena. Os umbandistas, creem em espíritos que se manifestam através dos médiuns (aqueles que se comunicam e até oferecem o seu corpo para manifestação destes espíritos). O maior lema desta religião é a ajuda aos desamparados, àqueles que estão excluídos e marginalizados, sem nenhuma restrição de gênero, raça, orientação sexual, classe social e até crença!
Ajudar e não julgar!
Nos últimos anos a Umbanda passou a ser mais estudada e através da
ajuda dos espíritos, foi desenvolvida a Teologia da Umbanda. Entrevistei um
umbandista praticante, estudante da Teologia da Umbanda, que me contou um pouco como é viver a Umbanda hoje em
dia. Desde já, deixo meu profundo agradecimento à entrevista concedida!
Entrevistado: Márcio Melim- Umbandista
O que é fé para você?
Márcio: Para mim fé é
alguém acreditar em algo pelo que sente com ou sem provas materiais.
O que te levou para a
Umbanda?
Márcio: As respostas que
não encontrei na Bíblia, nem na Seicho No Yê e nem no Kardecismo, nunca fui uma
pessoa de aceitar dogmas e paradigmas, minha fé tem que fazer sentido, eu nunca
aceitaria temer a Deus, porque o amo e em minha compreensão não podemos amar
plenamente o que tememos. Hoje, tenho certeza que este é o meu caminho, meu
compromisso. A Umbanda é uma religião que não tem como objetivo recrutar
pessoas, nunca vi e nem soube de uma entidade aconselhar um consulente a se
tornar Umbandista, quando alguém procura ajuda em um terreiro os Guias
Espirituais perguntam qual é o problema e não qual a sua religião. Por isso,
temos na assistência pessoas de todas as religiões. Ajudar sem
querer saber se suas ideias são iguais as minhas, simplesmente por amar o
próximo! Estes são alguns dos motivos que me levaram a ser Umbandista.
Qual sua opinião sobre as
outras religiões?
Márcio: Antes de responder, quero citar o que significa, na minha opinião, a
palavra religião. Para mim, ela tem osentido de religar a Deus, presumindo que viemos dele. A religião pertence aohomem e não a Deus. Deus não precisa de religião, quem precisa é o homem, Deusnão deixou a religião, o homem que a fez segundo sua interpretação de qualseria o caminho divino. Todas as religiões, que não fazem mal ao próximo e nemao religioso, são excelentes. A melhor religião que existe é a que cada um esta!E no meu caso é a Umbanda.
palavra religião. Para mim, ela tem osentido de religar a Deus, presumindo que viemos dele. A religião pertence aohomem e não a Deus. Deus não precisa de religião, quem precisa é o homem, Deusnão deixou a religião, o homem que a fez segundo sua interpretação de qualseria o caminho divino. Todas as religiões, que não fazem mal ao próximo e nemao religioso, são excelentes. A melhor religião que existe é a que cada um esta!E no meu caso é a Umbanda.
Você já
sofreu algum tipo de discriminação por praticar esta religião?
Márcio: Sim, de termos pejorativos de pessoas desinformadas,
como macumbeiro, catibozeiro e etc. Sempre tem olhares assustados de pessoas
quando vêem um colar, uma guia, é como se eu estivesse armado e alguém visse a
arma. Sou Executivo de Contas e em minhas visitas comerciais nunca deixo
aparecer nenhum objeto que possa identificar minha relião, tenho certeza que
alguns religiosos preconceituosos deixariam de fechar negócio comigo por serem
totalmente desinformados sobre minha religião.
Para finalizar, deixo aqui minha
admiração a todos os umbandistas do mundo, que dia a dia sofrem com o
preconceito das pessoas em relação à sua religião, mas que enfrentam todos os
obstáculos em nome de sua fé! Também, espero que todos que estão lendo esta
postagem possam refletir o quão importante é o respeito para com o próximo e a
sua fé!
Por fim, deixo uma dica de um vídeo
que conta um pouco como a Umbanda surgiu e algumas de suas principais ideias!
Um grande salve à todos os umbandistas, todos os orixás e principalmente
ao respeito à diversidade!
Salve a
Umbanda...Salvee!!!
Salve
todas as religiões...Salve!!!
Salve a livre expressão da fé...Salve!!!

Adorei o post. Acredito que debater a fé é debater a diversidade e que isso é de extrema importância. Diversas vezes ouço por aí pessoas desinformadas distribuindo mentiras a respeito das crenças e religiões, principalmente entre os católicos, dos quais faço parte, e protestantes. Nosso país, que é o país da diversidade cultural, tem mania de julgar sem conhecer, condenar por ser diferente...
ResponderExcluirNão sou adepta da religião umbanda, mas andei vendo uns vídeos e reportagens que me abriram os olhos sobre várias coisas, que até então não me atentava. Observei que tenho poucos amigos que sejam ou que se assumam como umbandistas.
ResponderExcluirCreio que a íntima relação com a história do negro é uma das questões que tornam a prática tão abnegada, pois a religião herdou a exclusão que o negro sempre vivenciou, mas há de se lembrar de que a fé deve transcender etnias.
Por fim, registro aqui uma analogia muito interessante que um líder umbanda trouxe em um programa de televisão e que me fez repensar e reconsiderar muitas de minhas concepções sobre esta crença. Segundo ele, quando um homem é pego em um ato de corrupção e se assume como umbanda, logo dizem ser a religião a responsável pela deturpação deste homem, já quando admite outra fé a analogia de seu erro é relativa ao desligamento dessa crença. Até quando sustentaremos uma tolerância hipócrita que nos faz ignorar o outro, sem buscar entendê-lo?
Sou evangélica, mas achei muito bacana você fazer essa postagem contando sobre a religião umbanda, que esta preocupa-se em ajudar o próximo, independentemente das ideias da pessoa que procura ajuda.
ResponderExcluirAmo ler sobre religiões perceber o quanto uma religião se aproxima da outra em determinados sentidos e o quanto se afasta em outros... Sinto bastante dificuldade em compreender a Umbanda, não consigo compreender a base, como se estrutura, como são as reuniões... As informações sérias sobre essa religião não são fáceis de encontrar.... Inclusive gostaria de saber o que significa esse "salve" Alguém aí sabe me dizer?
ResponderExcluirum texto que tem caráter informativo que procura passar um pouco o que é umbanda, acabar com mitos e preconceitos. Inclusive achei muito interessante trazer a entrevista com alguém do meio que tem embasamento para falar sobre isso e mostrar que a umbanda não é o que muitas pessoas saem por aí dizendo.
ResponderExcluirPâmela...a Umbanda por toda sua origem não foi sistematizada...Sua história ainda é embasada na oralidade, nas muitas versões daqueles que a conhecem, por isso é difícil encontrar uma referência. De uns anos para cá (poucos anos alias-até pq a Umbanda é muito nova) um grupo de Umbandistas com a direção de espíritos que mediam nossa relação com o plano espiritual, estão escrevendo a Teologia da Umbanda. Existem já alguns livros que falam sobre isso, o autor se chama Rubens Saraceni (acho que é assim que escreve). O Salve é uma saudação que se faz aos orixás em casa trabalho feito...As reuniões como vc perguntou, são os trabalhos, onde com o toque do atabaque pelos Ogãs, as músicas, os cantos se evocam os espíritos que vêm auxiliar os trabalhos. Sempre no início e final dos trabalhos se saúda a Umbanda, os orixás e os espíritos que lá trabalharam...
ResponderExcluirEsse post me fez muito bem, pois toda minha família é católica, mas quando minha prima conheceu seu ex-marido começou a frequentar um centro Umbanda e adorou, continuando nessa religião até hoje! Nunca tive a oportunidade de saber um pouco mais sobre essa religião pelo fato da minha família julgar muito essa minha prima (sem ao menos conhecer a Umbanda) e passar essas informações erradas até mesmo para mim. Hoje acho que posso trocar algumas ideias com ela e até ir ao local para conhecer a diversidade das religiões. Conhecimento e novidades nunca é demais! Adorei!
ResponderExcluirCara Renata, adorei muito seu post e a entrevista com o Márcio. Não fui batizado e não fui conduzido a nenhuma religião pela minha família. Mas quando adulto senti uma necessidade de exercer uma fé, e interessei-me pelo budismo. Me identifiquei no budismo por muitas razões, mas também pelas mesmas razões do Marcio na umbanda, querer fazer o bem e amar ao próximo. Conheço a umbanda e já fui em terreiro por curiosidade acompanhando meus melhores amigos que são umbandistas, e me senti muito bem acolhido.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirMuito Boa a entrevista! Muito importante, a meu ver, a visão de religião do Márcio e certamente da Umbanda. Já frequentei terreiros, mas não sou praticante, ou melhor, frequentador assíduo. Sempre me senti muito bem nos rituais e celebrações da Umbanda. Uma religião que valoriza a espiritualidade individual e de grupo além de valorizar a cultura tão característica do nosso povo brasileiro e respeitar tão bem outras culturas para mim é algo bastante elogiável que deve ser enaltecido!
ResponderExcluirAdorei a postagem! Recentemente estive pela primeira vez em um centro Umbanda, e observando os rituais realizados, fiquei muito curiosa para saber mais sobre sua origem, pois percebi que alguns pareciam ser de origem africana, enquanto outros se aproximavam do catolicismo e até de rituais indígenas.Gostei de saber que é influenciada por várias crenças porque na minha opinião, mostra que todas estão de certa forma ligadas, ou se aproximam em algum ponto. É interessante discutir sobre as crenças pois muitas vezes, mesmo sendo contraditorio, elas podem causar preconceitos por falta de informação.
ResponderExcluir